Protestos de cegos prometem ofuscar estréia de "Ensaio sobre a cegueira" nos EUA
Para presidente da Federação de Cegos dos EUA diz que filme apresenta deficientes visuais como monstros
O filme "Ensaio sobre a Cegueira", dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles ("Cidade de Deus") e adaptado do romance homônimo do escritor português José Saramago, estréia nos Estados Unidos nesta sexta-feira, em meio a protestos promovidos por uma associação de cegos.
Fiel à trama do livro em que se inspira, a produção cinematográfica transporta o espectador para um mundo repentinamente dominado pelos instintos mais primários de seus habitantes.
Tudo começa quando uma misteriosa doença que deixa as pessoas cegas se alastra por um país, atingindo toda a população, com exceção da mulher do médico que trata do primeiro homem a manifestar a desordem.
Tal situação põe em interdição a moral e as normas de comportamento atuais, retrato que o filme pinta com bastante crueza, mostrando a baixeza e a degradação que dominaria a sociedade se o homem perdesse um dos seus principais sentidos.
Embora fale de tudo isso sem exibicionismos narrativos, o longa de Meirelles traz algumas cenas que podem consideradas incômodas aos olhos de um público acostumado à correção política dos roteiros de Hollywood.
"(O filme) coloca questões sobre a evolução humana. Representa-nos de forma crítica, mas não aponta uma direção específica (a ser seguida)", disse Meirelles a respeito, acrescentando que a produção vai mais longe que o livro no que diz respeito aos dilemas éticos.
"É uma história que deve gerar perguntas, não respostas", esclareceu o diretor do filme, indicado este ano à Palma de Ouro do Festival de Cannes e protagonizado por Alice Braga ("Eu Sou a Lenda"), Julianne Moore ("Magnólia"), Mark Ruffalo ("De Repente 30") e Gael García Bernal ("Diários de Motocicleta").
Nos EUA, "Blindness" (título original) já enfrenta críticas mesmo antes de sua chegada às telas.
Isso porque, para Marc Maurer, presidente da Federação Nacional de Cegos (NFB, na sigla em inglês), com sede em Maryland, "o filme apresenta os cegos como monstros".
"E acho que isso é uma mentira", declarou à rede de TV "CNN", à qual disse ainda que o filme do diretor brasileiro não contribui em nada para a integração dos cegos na sociedade.
Com base nesses argumentos, a federação anunciou que vai protestar nos 75 cinemas dos EUA em que "Ensaio sobre a Cegueira" estreará. E, segundo Maurer, os manifestantes levarão a tiracolo cartazes com frases como "Eu não sou um ator, mas interpreto um cego na vida real".
"Os cegos aparecem no filme como incompetentes, sujos, viciados e depravados. São incapazes de fazer as coisas mais simples, como se vestir, se lavar e encontrar o banheiro. A verdade é que as pessoas cegas normalmente fazem as mesmas coisas que as que podem ver", disse o presidente da NFB em um comunicado.
"Mostrar os cegos nas telas americanas um pouco melhor do que animais reforçará temores infundados e os estereótipos do grande público sobre a cegueira", acrescentou Maurer, para quem o longa ajudará a aumentar a taxa de desemprego entre os cegos, que atualmente é de 70%.
Para a NFB, também é um "escândalo" que a distribuidora Miramax, subsidiária do grupo Walt Disney, tenha aceitado retratar os cegos desta forma, e que "inclusive explique que se trata de uma alegoria ou uma observação social".
Em resposta, a Miramax limitou-se a comentar que fica "triste" com a decisão tomada pela NFB, e que a produção é "uma parábola sobre o triunfo do espírito humano quando a civilização vem abaixo".
"Ensaio sobre a Cegueira" foi um projeto que passou pelas mesas de vários produtores desde que Saramago - Nobel de Literatura em 1998 - publicou o livro homônimo. Porém, demorou até o escritor português aceitar a proposta para adaptação de seu romance.
"Sempre resisti, porque é um livro violento sobre degradação social e não queria que caísse em mãos equivocadas", disse Saramago numa entrevista concedida em 2007.
Segundo o roteirista e ator Don McKellar, o escritor queria evitar que sua trama se transformasse em um filme de zumbis.
Um dos maiores desafios para Meirelles foi, exatamente, conseguir que o elenco do filme atuasse como se realmente tivesse perdido a visão, para o que todos participaram de "oficinas de cegueira".
Cada ator passou horas em total imersão para se acostumar a perceber o que se sente quando não se vê. Depois, todos experimentaram a perda parcial da visibilidade, até que começaram a atuar com os olhos abertos como se fossem cegos.
"Após ler o roteiro, senti que 'Blindness' era uma história grande e que precisávamos fazê-la", confessou Julianne Moore, cujo personagem é o único que não é atingido pela cegueira e que contempla a decadência de todo o resto da sociedade.
Por sua vez, o mexicano Gael García Bernal, fã declarado da obra de Saramago e máximo representante das falhas de caráter que o homem pode incorrer em situações-limite, acha que, apesar das aparências, o filme fala "de esperança, porque só que pode nos salvar somos nós mesmos".
É simplesmente ridículo o que estão falando sobre o livro/filme.
Em momento algum “senti” qualquer tipo de desrespeito. A cegueira do livro/filme é apenas uma alegoria pra se discutir sobre padrões de comportamento, sobre a moral, sobre a ética de cada ser humano e como esses se modificam e até se perdem quando expostos a situações extremas.
Sendo uma alegoria, poderia ser mostrada de outras formas, em outras situações, por exemplo, a mesma coisa pode acontecer se caso faltar água no mundo. A falta de água também geraria um caos que poderia chegar aos mesmos fins. Ao contrário do estão dizendo, o único personagem que podemos dizer realmente cego (O Velho com a venda nos olhos) é o que se mostra mais adaptado as suas atuais condições.
Neste livro/Filme não se discute a cegueira congênita e sim indivíduos que, de um SEGUNDO para o outro, se vêem em uma situação completamente diferente de tudo que viveram até aquele momento.
Não é falado em um longo tempo de habituação, toda a história acontece em um curto espaço de tempo, onde todos são levados ao extremo de seus sentidos e sentimentos, todos estão aterrorizados pela impotência, pelo medo, pela angustia de não saber o que, nem como aconteceu este mal. Nessas situações, neste curto espaço de tempo, a habituação ao novo é quase inexistente e impossível.
Esta é uma situação pesarosa, pois um Livro/Filme como Ensaio sobre a Cegueira, com um escritor como Saramago e um diretor como Meirelles, não poderia ser prejudicado por uma situação como essa: tão ridícula e totalmente dispensável.
Dirigido por Fernando Meirelles. Com: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Don McKellar, Mitchell Nye, Gael García Bernal, Susan Coyne, Sandra Oh, Maury Chaykin, Mpho Koaho.
(Esclarecimento: Quem acompanha o site e meu blog há algum tempo sabe que considero Fernando Meirelles um amigo. Não creio que isto tenha interferido em minha análise de Ensaio Sobre a Cegueira, mas, em nome da ética profissional, tenho a obrigação de informá-los sobre este fato.)
Em certo momento de Ensaio Sobre a Cegueira, um dos inúmeros personagens sem visão reclama, ressentido, dos abusos cometidos pelo inescrupuloso Rei da Camarata 3 e comenta, com o companheiro à sua frente, que o sujeito provavelmente é negro, escancarando seu odioso racismo – e, pior, sem se dar conta de que, ao contrário do caucasiano vilão, é seu interlocutor e confidente quem possui o tom de pele que ele tanto parece desprezar. A beleza desta cena, além do inteligente uso da ironia dramática, reside na força de sua alegoria, pois, nesta sociedade terrivelmente imperfeita em que vivemos, é justamente nossa visão (literal e metafórica) que muitas vezes nos cega para o que realmente importa, distorcendo nossas opiniões em função de preconceitos estúpidos (e existe outro tipo?) que, ao manterem nosso foco no superficial (a cor da pele, a orientação sexual, a etnia), impedem que enxerguemos o real valor daqueles que nos cercam.
Não é coincidência, portanto, que o magnífico livro de José Saramago tenha atraído a atenção do cineasta Fernando Meirelles, que, além de sua clara queda por adaptações literárias, tem uma carreira marcada pelos subtextos políticos e pelo comentário social que permeiam suas obras, do divertido Domésticas ao carregado O Jardineiro Fiel, passando, é claro, pelo jovem clássico Cidade de Deus (ainda não assisti ao seu longa de estréia, O Menino Maluquinho 2, mas me aventuro a supor que talvez seja a exceção que comprova a regra). Escrito por Don McKellar, este Ensaio Sobre a Cegueira representa, neste sentido, a mais promissora oportunidade para que Meirelles desenvolva uma ampla alegoria sobre os rumos que a sociedade ocidental moderna vem tomando – e a distopia aqui apresentada surge como conseqüência de uma misteriosa epidemia de “cegueira branca” que imediatamente mergulha um país não identificado (todos falam inglês, mas o rádio traz um locutor português) no mais completo caos. Não é à toa, aliás, que os angustiantes planos que revelam os habitantes cegos perambulando com insegura lentidão pelas ruas da cidade remetam tão fortemente às produções estreladas por mortos-vivos comandadas por George Romero, já que estas também usam seus monstros como um interessante comentário social.
Advogando a tese de que aquelas pessoas (todos nós, na realidade) já viviam num estado de cegueira antes mesmo de perderem a visão, o filme, assim como o livro, sugere que somente ao perdermos a capacidade do pré-julgamento nos tornamos realmente capazes de estabelecer uma conexão verdadeira com o mundo ao nosso redor – e mais: que a única cura possível para este isolamento auto-imposto (a “cegueira” de Saramago) é o reconhecimento inequívoco de que, afinal, dependemos profundamente uns dos outros e que enxergar de fato o próximo é, acima de tudo, um exercício de tolerância e amor. Aliás, seguindo esta lógica temática (e, claro, as intenções alegóricas da narrativa), é mais do que natural que os personagens não tenham nome, sendo identificados apenas por suas profissões (o Médico, o Contador), por suas relações mais significativas (a Mulher do Médico) ou por suas características mais marcantes (o Garoto Estrábico) – e não é justamente assim que costumamos definir, de maneira simplista e injusta, aqueles que nos cercam?
Curiosamente, Meirelles e seu elenco exibem uma admirável inteligência (e uma boa compreensão das necessidades particulares do Cinema) ao buscarem desenvolver um pouco mais aqueles indivíduos, mas não a ponto de desvirtuarem os propósitos originais de Saramago: assim, ao observarmos o olhar distante da Mulher do Médico (Moore) ao beber vinho enquanto lava os pratos, podemos notar um tédio sutil que talvez indique uma insatisfação significativa com relação à sua vida de dona-de-casa – e isto torna ainda mais complexa sua trajetória ao longo da projeção, já que ela se torna figura fundamental não só na vida do marido, mas também de um grande grupo de pessoas. Da mesma maneira, ao apresentar o Rei da Camarata 3 (Bernal) de maneira rápida como um barman, antes de o encontrarmos no hospício, o roteiro de McKellar consegue humanizá-lo um pouco mais, evitando que o enxerguemos apenas como um monstro unidimensional – o que, somado aos momentos de humor protagonizados por Bernal (como o hilário instante em que imita Stevie Wonder), deixa o personagem muito mais complexo e interessante. Enquanto isso, Mark Ruffalo traz sua vulnerabilidade característica ao papel do Médico, salientando sua mais do que testada dignidade, ao passo que o casal interpretado por Yusuke Iseya e Yoshino Kimura protagoniza o mais tocante arco dramático da narrativa – algo que é salientado pela rima visual das conversas mantidas ao pé de duas fogueiras.
E já que mencionei parte da estratégia visual concebida por Meirelles ao lado do diretor de fotografia César Charlone, seu parceiro habitual, cabe destacar a coragem da dupla ao investir numa abordagem que, ao buscar capturar a confusão dos sentidos dos personagens, poderia facilmente afastar o espectador – algo que, felizmente, não ocorre. Assim, desde sua primeira cena, Ensaio Sobre a Cegueira adota uma câmera oscilante que exibe foco incerto e cria composições assimétricas que muitas vezes cortam atores e cenários pela metade, surpreendendo-nos também ao apostar em reflexos (muitos destes, fragmentados) que tornam a experiência ainda mais inquietante. Mas não é só: adotando uma fotografia que combina a superexposição e uma paleta dessaturada (que beira o preto-e-branco em alguns momentos), o filme não só salienta a tristeza e a decadência de um mundo em colapso como ainda remete à descrição da cegueira branca presente no livro: “como se se encontrasse mergulhado de olhos abertos num mar de leite”. Assim, quando o Ladrão perde a visão, Meirelles usa o farol alto de um carro que passa como início de uma explosão de luz que simula a experiência do personagem, num recurso que se repetirá várias vezes ao longo da projeção.
Contando com a montagem segura do sempre competente Daniel Rezende, Ensaio Sobre a Cegueira também acerta na maneira dinâmica com que retrata a passagem do tempo e a decadência brutal do hospício, cujos corredores cada vez mais tomados pelos detritos funcionam como uma metáfora apropriada do estado de espírito dos personagens. Por outro lado, o plano que mostra uma fruteira contendo três laranjas, no início do longa, peca pela obviedade ao prenunciar claramente o instante em que voltaremos a ver as frutas já consumidas pelo mofo. E já que mencionei um aspecto problemático do projeto, devo dizer, também, que o envolvimento entre o Velho da Venda Preta (Glover) e a Garota de Óculos Escuros (Braga) provavelmente soará artificial para os espectadores que não tiverem familiaridade com o livro, já que é apresentado de maneira súbita demais no terceiro ato.
Aliás, infelizmente, o Velho da Venda Preta jamais consegue se tornar tão rico e interessante quanto os demais integrantes do núcleo principal, o que é uma pena, considerando-se o talento de Glover e a beleza do personagem – e os dois momentos em que ele funciona como uma espécie de narrador se revelam os mais frustrantes da narrativa, já que ele se limita a verbalizar o que o espectador pode ver claramente na tela. Além disso, como estas narrações surgem jogadas ao acaso, acabam se revelando ilógicas e gratuitas, além de totalmente descartáveis (ao que parece, numa versão anterior elas cruzavam toda a obra). O mais triste é constatar que as duas seqüências em questão provavelmente se revelariam bem mais impactantes e mesmo poéticas se surgissem silenciosas, permitindo que interpretássemos sozinhos as expressões dos personagens e os quadros evocativos criados pelo diretor.
É reconfortante, portanto, que Ensaio Sobre a Cegueira contenha tantos outros momentos intocados pela equivocada narração – e a cena em que um grupo de mulheres lava silenciosamente o corpo de uma companheira caída é particularmente eficaz e emocionante, assumindo um tom quase ritualístico, religioso. Da mesma forma, as duas cenas que trazem um verdadeiro ritual de purificação pela chuva funcionam como raros instantes de respiro numa narrativa dominada pela angústia, representando, também, pontos importantes do reencontro que marca uma nova comunhão entre aquelas pessoas e o mundo (a Natureza, a Vida, o Próximo) que as cerca. Finalmente, Meirelles é especialmente feliz ao retratar a transa de dois personagens, quando inclui, em meio aos gemidos de êxtase do casal, planos subjetivos que revelam o mar de luz no qual este se encontra e que confere um tom curiosamente romântico ao ato – o que se contrapõe ao desespero quase animalesco e aos movimentos desajeitados que testemunhamos quando finalmente vemos, à distância, o que está acontecendo. Aliás, o diretor cria também um outro importante contraste ao estabelecer um choque entre a claridade desta transa e a escuridão infernal que cobre o estupro coletivo que virá a seguir.
É um alívio que a narração equivocada e dispensável de Glover não tenha surgido para comprometer também estas fortes seqüências.E quem sabe o DVD não traz a surpresa de eliminá-la também do restante da narrativa? Ensaio Sobre a Cegueira é um filme admirável demais para ser prejudicado por um tropeço tão fácil de ser corrigido.
No primeiro dia de Setembro levantei cedo e fui caminhar por caminhos ja trilhados deparei com aromas familiares com rostos conhecidos senti no vento o perfume das flores a muito tempo colhidas brinquei repisando pegadas antigas contemplei as nuvens que se desfizeram e refizeram-se tantas e tantas vezes senti na face a mesma brisa daqueles dias distantes como num filme como num sonho e na beira do caminho por dentro de um resto de mata Atlântica nalguma serra de Minas encontrei as mesmas perguntas esperando serenamente suas respostas que talvez um dia brotem talvez um dia não quem sabe só sei que hoje é o primeiro dia de Setembro "seja festa A quem venceu mais um dia A quem dorme e a quem cansa A quem ouve a melodia Pra quem namora e dança Pra quem vai ter e adia Pra quem recua e avança Pra quem quer se alegrar"
Hoje a gente comemora o nascimento de um menino que mudou a história do mundo. Portanto, hoje é dia de festa. Hoje é pra gente saber que cada menino que nasce muda a história do mundo. Portanto, hoje é dia de festa. Hoje é dia de lembrar que toda hora a história do mundo começa de novo. Que todo ano é recomeço e renascimento, porque todo ano que entra é menino, como aquele que mudou a história do mundo. Hoje é dia de festa, porque todo dia começa tudo outra vez. E é por isso que todo amor vale a pena. Porque todo amor é pra sempre menino, como aquele que quando nasceu mudou a história do mundo. Hoje é dia de paz, porque paz é urgente. Hoje é dia de ação, porque amar é fazer alguma coisa. Hoje é dia de festa, porque é preciso comemorar esse país de paz e de ação. Porque esse país é menino, como aquele que quando nasceu mudou a história do mundo. Hoje é dia de festa, porque é preciso festejar a comunhão das raças deste país da alegria. É preciso amar a todos como irmãos. Afinal, somos todos meninos, filhos de um país menino. Portanto, irmãos somos todos. Vamos agradecer, juntos, a graça de viver, de poder fazer de novo, de dançar e dar gargalhada, andando por essa terra que, ao invés do “vale de lágrimas” que sugerem os pessimistas, será sempre e pra sempre o “vale encantado”, onde daremos as mãos, perplexos com as maravilhas de tudo que nos cerca. Hoje é dia de celebrar e agradecer o privilégio de estar vivo pra sempre. Pois assim nos prometeu o menino que quando nasceu mudou a história do mundo. Hoje é dia de festa, é dia de olhar pra esse país menino com olhos de menino, e livrar pra sempre todos os meninos da cruz. Hoje é o dia de ser criança, o dia em que cada criança passa a ser o menino Jesus. Hoje é dia de livrar pra sempre todos os meninos da cruz.
Oswaldo Montenegro Fonte: http://bloglog.globo.com/oswaldomontenegro/#
ESTRADA DE PANO Você me chamou, meu amor, de louca Só porque eu quero tirar o pé do chão Só que o ar é muito e a terra pouca O céu é azulado e a terra não E se eu nunca coube em seu caminho “Cê” vai adorar andar sozinho Você me ensinou – aprenda então Você detonou minha auto-estima Só porque eu odeio andar pra frente A minha estrada é de pano, é pra cima O ar tem saúde e o chão doente Você sacaneia minha estrada Me diz que ela é solta e dá em nada Pois duro é o passado e solto o presente Você me chamou, amor, de burra Porque eu não quero andar no piso Não quero! Me deixa! Sai! Não empurra! A terra é cortante e o vento é liso E se eu sem você nunca soube andar Agora sozinha aprendi a voar E se eu desaprender minha queda é o aviso Você me feriu e agora basta Pelo furo da mágoa o amor é que vaza Tua mão vindo a mim agora me afasta O sonho da fêmea é um dia ter asa Os restos do amor não estão onde ponho Estão num lugar cemitério de sonho E eu vou fazer do caminho minha casa
Existem muitas teorias sobre o que fez o Homem dominar o planeta e construir civilizações enquanto o joão de barro, por exemplo, só consegue construir conjugados, e levar grandes mulheres para a cama enquanto o máximo que um gorila conseguiu foi segurar a mão da Sigourney Weaver. Dizem que o cavalo é mais bonito do que o Homem e a barata é mais resistente, mas não há notícia de uma fuga a tres vozes composta por um cavalo ou uma liga de aço inventada por uma barata. Tudo se deveria ao fato de uma linhagem particular de macacos ter desenvolvido o dedão opositor, com o qual conseguiu descascar uma banana e segurar um tacape, as condições primordiais para dominar o mundo. A vaidade, outra característica exclusivamente humana (o pavão também é vaidoso, mas não gasta uma fortuna com as penas dos outros para fazer sua cauda) também teria contribuido para que o Homem prevalecesse, pois de nada lhe adiantariam suas façanhas com o polegar, e com as mulheres, se não pudesse contar depois. Dai nasceu a linguagem, e com ela a mentira, e Homem estava feito. Mas eu acho que a verdadeira força motriz do desenvolvimento humano, a razão da superioridade e do sucesso do Homem, foi a preguiça. Com a possivel exceção da própria preguiça, nenhum outro animal é tão preguiçoso quanto o Homem. O desenvolvimento do dedão opositor nasceu da preguiça de combinar dentes e garras para comer e ainda ter que limpar os farelos do peito depois. A linguagem é fruto da preguiça de roncar, grunhir, pular e bater no peito para se comunicar com os outros e, mesmo, ninguém aguentava mais mímica. A técnica é fruto da preguiça. O que são o estilingue, a flecha e a lança senão maneiras de não precisar ir lá e esgoelar a caça ou um semelhante com as mãos, arriscando-se a levar a pior e perder a viagem? O que estaria pensando o inventor da roda senão no eventual desenvolvimento da charrete que,atrelada a um animal menos preguiçoso do que ele, o levaria a toda parte sem que ele precisase correr ou caminhar? Dizem que a agressividade e o gosto pela guerra determinaram o avanço científico da humanidade e se é verdade que a maioria das invenções modernas nasceu da necessidade militar, também é verdade que o objetivo de cada nova arma era o de diminuir o esforço necessario para matar os outros. O produto supremo da ciência militar, o foguete intercontinental com ogivas nucleares múltiplas, é uma obra prima da preguiça aplicada: apertando-se um único botão se mata milhões de outros sem sair da poltrona. Uma combinação perfeita do instinto assassino e do comodismo. A apoteóse do dedão. Toda a história das telecomunicações, desde os tambores tribais e seus códigos primitivos até os sinais de TV e a internet, se deve ao desejo humano de enviar a mensagem em vez de ir entregá-la pessoalmente ou mandar um guri resmungão. A fome de riqueza e poder do Homem não passa da vontade de poder mandar outros fazerem o que ele tem preguiça de fazer, seja trazer os seus chinelos ou construir as suas pirâmides. A quimica moderna á‚á filha da alquimia, que era a tentativa de ter o ouro sem ter que procurá-lo, ou trabalhar para merecê-lo. A fisica e a filosofia são produtos da contemplação, que é um subproduto da indolência e uma alternativa para a sesta. A grande arte também se deve à preguiça. Não por acaso, o que é considerada a maior realizaçao da melhor época da arte ocidental, o teto da Capela Sistina, foi feita pelo Michelangelo deitado. Proust escreveu o "Em busca do tempo perdido" deitado. Vá lá, recostado. As duas maiores invenções contemporâneas, depois do antibiótico e do microchip, que são a escada rolante e o manobrista, devem sua existência à preguiça. E não vamos nem falar no controle remoto.
Fonte: Blog do Noblat - http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
Entrevista com a Imortal Lygia Fagundes Telles Num dia difícil, em plena ditadura militar, Lygia Fagundes Telles viu um monte de nuvens negras no céu de Brasília. “Aquilo é uma conspiração de nuvens”, disse a escritora. A frase tão boa ela guardou na memória e agora batiza seu novo livro, recém-lançado pela editora Rocco. Conspiração de Nuvens é muito mais que uma obra sob sua assinatura: é o reencontro de Lygia com a vida depois de um longo período de “deficiência espiritual” em função da perda de seu filho único, Goffredo Telles Neto. “Foi muito bom escrever esse livro, entrei em uma vereda de trabalho”, diz a Grande Dama da literatura brasileira. Lygia vive dias atribulados, repletos de eventos e palestras. Mesmo assim, recebeu com muita disposição a reportagem da Revista da Cultura em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo, com a peculiar simpatia e um tanto de timidez inicial, logo superada. Na sala de estar, cortinas fechadas e, sobre a escrivaninha, sua Olivetti italiana, na qual “edita” seus textos, além de diversos álbuns de fotos. Difícil apresentar em poucas linhas sua invejável jornada pessoal e profissional. Ganhou os mais importantes prêmios nacionais — e alguns estrangeiros também —, teve obras publicadas em diversos países e preserva sua conhecida elegância, o humor inteligente e o discurso fluente, sempre repleto de imagens poéticas. Características que marcaram sua imagem pública desde os anos 1950, quando escreveu Ciranda de Pedra. Daí por diante, ela produziu outros três romances, escreveu o roteiro do filme Capitu e publicou oito livros de contos e diversas coletâneas e antologias. Em1985 foi eleita imortal da Academia Brasileira de Letras. “Tenho esperança de que, através da minha palavra oral, escrita, e por minha presença, eu tenha ajudado alguém a se afastar do crime, do vício, da loucura, da solidão”, diz Lygia.
De onde surgiu o título Conspiração de Nuvens? Ele dá nome a uma das histórias publicadas neste livro, quando descrevo a tentativa de entrega do que ficou conhecido como o Manifesto dos Mil. O ano era 1976, ditadura militar, presidente Ernesto Geisel. Eu estava com meu segundo marido, Paulo Emílio Salles Gomes, na fazenda de Décio Almeida Prado, e recebi um telefonema do Rubem Fonseca. “Tudo está sendo censurado, Lygia, está um horror. Elaboramos um manifesto contra a censura e já temos a assinatura de mil intelectuais. Você precisa fazer parte do grupo que vai levá-lo para o ministro da Justiça, o Armando Falcão”. Fomos eu, a escritora Nélida Piñon, o historiador Hélio Silva e o jornalista Jefferson Ribeiro de Andrade. Tomamos um avião a partir do Rio de Janeiro. E lá estávamos quando, de repente, surgiu um monte de nuvens negras à frente. Sussurrei para o Hélio Silva: “Aquilo é uma conspiração de nuvens”. E ele: “Sim, nuvens também conspiram. E se não cairmos agora, vamos ser presos em Brasília”. O tempo se abriu, mas a expressão ficou na minha cabeça.
Vocês entregaram o manifesto? Não (risos). Armando Falcão não nos recebeu. Mas a imprensa sim, foi uma beleza. Naquela época, tinham tirado das livrarias o Feliz Ano Novo, do Rubem Fonseca, alegando que incentivava a violência, o Araceli, Meu Amor, do José Louzeiro, que, diziam, estimulava a sem-vergonhice, e outros. Um jornalista veio conversar comigo, quis saber se haviam recolhido o meu romance As Meninas, no qual incluí o texto de um jovem descrevendo a tortura que sofreu nas mãos do DOI-CODI. Contei que não: segundo disseram a Paulo Emílio, esta parte está na página cento e pouco do livro. O censor chegou até a 74, achou tudo muito chato e não foi adiante (risos).
Você diria que As Meninas é seu livro predileto? Dentro do romance, sim, porque é um livro bastante real, no qual pego forte na realidade brasileira. Lá está uma drogada, e o Brasil já estava no meio das drogas, uma baiana subversiva e uma jovem burguesinha que milagrosamente se torna tão forte. Fiquei feliz porque, à minha maneira, consegui trazer para o romance o meu país, este Brasil de terceiro mundo, de analfabetos e de miseráveis. Mas também gosto do Ciranda de Pedra, publicado em 1954, que marcou, na minha opinião e na dos críticos também, a minha maturidade intelectual. Gosto também do As Horas Nuas, que tem uma personagem muito forte e muito louca, a Rosana. E, de um modo mais envolvido e difícil, gosto do Verão no Aquário, um livro em que os peixes menores são engolidos pelos maiores, como na vida.
E os livros de contos? Entre os de contos, prefiro A Noite Escura e Mais Eu. Meu filho, Goffredo, adorava o Disciplina do Amor, um livro de fragmentos. Já o Conspiração de Nuvens, que traz textos baseados em histórias reais, foi especialmente importante para mim. Depois que meu filho morreu, há pouco mais de um ano, fiquei moída como a cana passada pelo triturador.
Como lidou com essa perda? Fiquei assim, um bagaço, quase morri junto. Ele era muito jovem, homem lindo, inteligentíssimo. Tinha hérnia de disco, uma doença horrível, e havia duas doutrinas: uma que dizia para operar, outra que dizia para não operar. Ele seguiu a primeira, fez duas operações sem sucesso, na terceira morreu do coração. Foi muito bom escrever o Conspiração, pois entrei em uma vereda de trabalho. E pude encontrar novamente, por meio do meu ofício, a minha vida, que estava completamente destruída. É mesmo verdade que a arte é a negação da morte. Através da arte você consegue não negar a morte propriamente, mas consegue, como um cavaleiro, pular o obstáculo – este, enorme – e continuar. Existe a deficiência física, mas, de certo modo, espiritualmente também há uma deficiência em relação à morte. Eu tinha mãos, pernas e cabeça funcionando, mas sofria de uma deficiência espiritual profunda. Tenho vários sangues no caldeirão da minha raça – italiano, espanhol, português. Talvez essa mistura tenha me empurrado para a frente. Uma dor forte como eu tive é uma deficiência.
Há algum leitor privilegiado que lê suas obras antes de serem enviadas ao editor? Não. Vou escrevendo e enviando para a editora, meus textos nunca sofreram nenhuma interferência. Sou totalmente livre.
Seu pai era advogado, sua mãe era pianista e dona de casa. De onde surgiu sua veia literária? Meu nome de solteira é Lygia de Azevedo Fagundes. Segundo um primo meu, o Menezes, em nossa árvore genealógica estão os escritores Fagundes Varella e Álvares de Azevedo. Pode ter vindo daí. Sei que me apaixonei pelo ofício e aqui estou, curtindo até hoje. Mas sobrevive-se muito mal da literatura. Os editores estão muito ricos, os livreiros eu não sei, os escritores não. Aqui, com raras exceções, os autores não sobrevivem da produção literária. E, na minha juventude, ainda tive que enfrentar o preconceito de sexo – fui uma das primeiras mulheres a se formar em Direito.
Como era ser mulher nesse ambiente? Na minha sala, eram 200 rapazes para seis moças. Lá me perguntaram: você está aqui para casar? E eu respondi: também! (risos) Éramos todas virgens, não havia esta coisa, era tudo muito recatado, meninas saindo das fraldas. Perguntaram certa vez por que a literatura é tão pobre em mulheres. Ora, porque elas só aprendiam a escrever quando moças! Naquela época, a mulher no Brasil tocava cravo, depois piano, todas donzelas. O futuro único era casamento. Para mim, o que fez com que as mulheres entrassem no mercado de trabalho foi a Segunda Guerra Mundial, quando os homens foram para o front e elas começaram a entrar nas fábricas, nos escritórios e nas universidades, ocupando o lugar dos homens. Mulher só fazia goiabada. Minha mãe só fazia goiabada – mas era uma excelente pianista. No tempo da mamãe, eram chamadas de mulheres-goiabada.
E as mulheres nos dias de hoje? Está havendo no Brasil uma coisa que me desgosta muito: uma superficialidade incrível, com raras exceções. A mulher está tola, ligada a bobagens, coisas de vitrines e lantejoulas, muito trabalhada na vulgaridade. É mostrar o peito, o traseiro. Agora está na moda ficar de barriga de fora. Outro dia, vi uma mulher da minha idade com um decote até o rabo e uma tatuagem nas costas. Tive vontade de dizer: “Senhora, cubra suas costas, que são muito feias. E sua tatuagem é muito feia também” (risos). Mas não estou na igreja-geral-de-não-sei-o-quê, não saio por aí dizendo coisas. Primeiro, era moda ser modelo. As meninas de 12 anos, todas anoréxicas, para poder desfilar. Agora, é moda ser prostituta. Mas vai passar, vai passar (risos). Da direita para a esquerda; Nélida, Lygia, Hélio Silva e o jornalista Jefferson Ribeiro de Andrade, no dia da conspiração das nuvens, em Brasília, em 1976. No verso da foto, à direita, Lygia descreve a história do dia em que eles foram falar contra a censura
Você aderiu ao computador? Bom, neste último livro tive ajuda para passar tudo para o conspirador... opa, computador (risos). Não gosto, mas vou aprender. Gosto mesmo é da minha Olivetti. Na verdade, primeiro escrevo à mão, passo a limpo na Olivetti e já vou cortando, acrescentando. Depois alguém coloca no computador. Meu filho fez um documentário comigo, o Narrarte, ele era um ótimo cineasta. Lá se vê que eu usava muito durex, ia recortando e colando os trechos. Adoro isso.
O que surge primeiro na sua produção: o personagem, o enredo...? Não tem ordem, não há estatística. Às vezes, o personagem aparece antes, ou o enredo, ou a idéia. Há uma coisa curiosa: às vezes eu volto ao mesmo personagem. Como se ele me pegasse pela manga e dissesse: olha, não fui bem aproveitado.
O que você acha da expansão das grandes livrarias? Importantíssima – quanto mais livrarias melhor. A nova livraria da Cultura é uma coisa extraordinária. Na minha infância, havia uma barraca nos parques de diversão chamada “pesca maravilhosa”. A pessoa lançava o anzol e nós, atrás de uma tela, amarrávamos um presentinho nele: um biscoito, caixinha de fósforos... Pedro Herz está fazendo isso: vem o comprador, joga a isca, vem o livro. Uma forma de alimentar um povo que está precisando muito de leitura, as crianças, os jovens. Eles podem ir às baladas, porém têm que ir à leitura também. Buscar na palavra escrita o caminho, a ajuda na profissão, na escolha do ofício, na vocação e na vida. Na Cultura há coisas sedutoras: um café, um restaurante... Aquele que está na rua vê, entra e, de repente, compra um livro. É a pesca maravilhosa da minha infância.
Você tem seus autores preferidos? Na minha juventude, li muito Dostoievsky e Kafka, e também os franceses, Flaubert, Balzac, Baudelaire, Rimbaud. O fato de ter entrado na Academia Brasileira de Letras facilitou minha vida, pois recebo muitos livros. Aliás, a ABL está muito bem organizada, pois o presidente Marcos Vilaça é muito bom. Está abrindo as portas, tornando-a mais acessível, o que é preciso em um país como o nosso.
Para finalizar, Cultura é... O pão nosso de cada dia. É nosso alimento, para podermos viver em um país com esperança na nossa língua, tão bela, com estilo, com modo, forma brasileira. É a água da qual bebemos.
Fonte: REVISTA DA CULTURA – Edição 02/Setembro de 2007. Revista virtual da Livraria Cultura. http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/n02/edicao/htm/index.htm
Os Paralamas do Sucesso receberão prêmio de Excelência Musical.
Os Paralamas do Sucesso serão reconhecidos como "lenda da música latina” em prêmio a ser entregue em 7 de novembro em Las Vegas, na véspera da cerimônia do Grammy Latino, anunciou nesta segunda-feira a Academia Latina Fonográfica em Miami.
Este prêmio homenageia, nas palavras de Gabriel Abaroa, Presidente da Academia Latina da Gravação "Representantes de vários gêneros de países do mundo, desde as Américas até a Europa, que graças à sua paixão inspiradora, habilidade e visão, realizaram contribuições e lograram avanços importantes para o benefício geral da cultura latina. Para o Conselho Diretor da Academia Latina de Gravação constitui um grande orgulho e honra oferecer uma homenagem a estas forças criativas que foram verdadeiros pioneiros da sua época". __________________________________________________________________________________________________________________________
Comemorando o merecido prêmio dado a minha Banda preferida, assistam ao clipe de ALAGADOS, música escrita por Hebert Viana, João Barone e Bí Ribeiro e lançada no disco SELVAGEM em 1986, após 21 ANOS continua ATUALÍSSIMA! Infelizmente...
Eu vivo em tempos sombrios. Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, uma testa sem rugas é sinal de indiferença. Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver. Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço dá-me o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como é que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Um dias desses, evidentemente, tudo há de dar certo, os automóveis se extinguirão e a superfície da terra será povoada apenas por bicicletas. Alguns carros, ônibus e caminhões serão expostos nos museus, feito mamutes, guilhotinas e outros monstros findos, para divertir a criançada e alertar os adultos: que o horror jamais se repita. Sobre selins acolchoados, seremos felizes para sempre.
É inegável a simpatia das bicicletas. Máquina desengonçada: se parada, destrambelha-se como um albatroz em terra, mas ao impulso dos pedais, projeta-se como uma flecha, esguia, impoluta e silenciosa. Bicicletas, ninguém pode negar, são irmãs dos guarda-chuvas, primas das girafas e parentes distantes dos abacaxis (não me peça para explicar, foi uma idéia que tive agora).
Durante todo o século XX, muitos artistas aproveitaram-se de seus encantos. É pedalando que vemos quase todo o tempo monsieur Hulot, personagem do filme Meu Tio, utopia lírica de Jacques Tati. Marceu Duchamp, depois haver exposto um mictório no museu, enfiou uma roda de bicicleta num banco de madeira e deixou as velhas noções sobre arte – literalmente – de pernas pro ar.
É impensável um facínora de bicicleta, inconcebível um ditador pedalando. As “máquinas da paz”, como as chamou Vinícius de Moraes, em sua Balada das meninas de bicicleta, são muito mais afeitas aos suaves cuidados das moças: “Bicicletai, meninada!/ Aos ventos do Arpoador/ Solta a flâmula agitada/Das cabeleiras em flor”.
As bicicletas são um indício de civilização. Recomendadas por ecologistas, urbanistas, cardiologistas e artistas, têm logo de entrar na agenda política. Ainda não vi nenhum candidato expor, no horário eleitoral, seu projeto nacional de bicicletização. Se aparecer algum, ganhará de imediato meu apoio.
Se Deus voltasse à terra e dissesse, “me mostrem aí o que vocês fizeram”, teríamos de levá-lo imediatamente a Amsterdam, para um passeio ciclístico, em torno daqueles belíssimos canais. Ou então ao Rio de Janeiro. Pegaríamos Deus no Santos Dummont (vindo do céu, é de se supor que chegará de avião) e O colocaríamos na garupa. Cruzaríamos todo o aterro, pedalando sem pressa, sob o sol ameno das quatro e meia da tarde. Passaríamos pela estátua de Drummond em Copacabana, veríamos as garotas saírem do mar em Ipanema e terminaríamos o passeio no Leblon, com um mergulho no mar e um suco de melancia, no exato momento do sol se pôr. Se Deus tiver um pingo de sensibilidade, estaremos todos salvos.
Nasceu em 1821 na cidade de Laguna, seu nome era Ana Maria de Jesus Ribeiro, viveu na primeira metade do século 19. Ela com cerca de 14 e 15 anos se casou com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, mas foi um grande em de sua vida. Três anos depois de seu casamento, ela conheceu o seu novo amor Giuseppe Garibaldi, ela com 18 e ele 32 anos, foi ele quem colocou em Ana o apelido de Anita.
Anita era uma mulher guerreira e valente. Ela deixou sua vida sem graça e sem motivos, para se tornar uma das mais importantes na história do Brasil.
Anita em 1839, após se unir a Garibaldi, foi em uma disputa entre imperialistas e farrapos, e Anita liderou uma luta muito importante. A luta foi de 120 dias entre imperialistas e farrapos. Em um momento da guerra, Garibaldi viu que estava perdendo e para melhor segurança, mandou Anita seguir para as terras, pediu que procurasse reforços e ficasse no continente. Como não conseguiu ajuda, Anita voltou. Suas tropas venceram, e o casal então partiu.
Algum tempo depois, Anita mostra mais uma vez a sua coragem, houve outra disputa, e ela desta vez foi responsável de comandar o transporte de munições. Anita foi presa, mas aproveitou a primeira chance que teve para escapar e não perdeu tempo e mesmo estando grávida, segurou forte a crina do cavalo, atravessou o Rio Canoas e se escondeu em uma mata durante oito dias e só depois desse tempo reencontrou o seu amor. Anita deu à luz a Domenico Menotti. Acuados foram para Montevidéu, no Uruguai, estando lá resolveram se casar na igreja, e tiveram três outros filhos: Rosita, Teresita e Ricciotti. Anita resolveu deixar as lutas, pouco depois a morte de Rosita, aos dois anos de idade, abalou a família, mas o lado de guerreira falou mais alto, ela foi participar da defesa de Montividéu, sendo enfermeira.
O casal resolveu se dividir, ela foi pra a França, enquanto o marido ficou no Uruguai. Giuseppe viajou para a Europa no ano seguinte.
Giuseppe foi para a Roma e Anita foi ao encontro do seu esposo, pois ele comandava a resistência de Roma. Logo com a tomada da cidade pelos franceses, o casal decidiu fugir. Anita estava grávida e mesmo assim ela permaneceu ao lado do seu marido, durante a fuga, Anita ficou doente de forma que nem conseguia andar, então, no dia 4 de agosto de 1849, a grande heroína veio a falecer estando grávida no sexto mês de gestação, do quinto filho. A escritora e médica Yvonne Capuano acredita que ela tenha sido vítima de leucemia.
Cleópatra é ainda um sinônimo de símbolo sexual. A eterna rainha era ótima na arte da conquista, com seus atributos físicos e sua inteligência, mantinha os poderosos de sua época a seus pés.
Cleópatra com cerca de 18 anos de idade assumiu seu destino, após a morte de seu pai Ptolomeu XII se casou com seu irmão Ptolomeu XIII. No Egito era comum o casamento entre irmãos.
Alguns anos depois, o faraó Ptolomeu XIII morreu e o poder foi para o irmão mais novo de Cleópatra que se chamava Ptolomeu XIV.
Cleópatra era uma mulher ambiciosa, queria poder e almejava restaurar o status que sua família desfrutara nos primeiros anos da dinastia, cerca de 300 anos antes. Então ela foi em busca de apoio da superpotência daqueles tempos: o Império Romano. Relacionou-se com ditador romano Júlio César, tiveram um filho que se chamou Cesarion. Fortalecida pela relação com o líder romano, ela continuou a governar ao lado do irmão, só que com mais autonomia. Dois anos depois do romance com Júlio César, Cleópatra foi para Roma. O ditador a recebeu de braços abertos, mas idílio do casal não durou muito tempo, Júlio César foi assassinado no Senado, em 44 a.C. e Roma explodiu. Após a morte de Júlio César, ela teve um romance com Marco Antônio, braço direito de César e juntos tiveram 3 (três) filhos, Ptolomeu Philadelphius, Alexandre Helios e Cleópatra Selene.
Em 32 a.C começou uma guerra. Marco Antônio e Cleópatra fizeram um pacto de morte: cometeriam suicídio quando os romanos chegassem ao Egito. Mas só o marido cumpriu com o pacto. Cleópatra preferiu tentar seduzir Otaviano (O primeiro imperador da República Romana era filho adotivo de Júlio César). Otaviano foi único homem a resistir à sedução de Cleópatra, ou seja, ele a renegou. Ela então se envenenou, ela usou uma cobra ou o veneno de cobras para cometer o suicídio. Segundo relatos, eles a enterraram com Marco Antônio e dizem que continuaram unidos após a morte.
Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome...Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é ...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo que acontece,contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de ...Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é ...Respeito.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável: pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que isso se chama...Amor Próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos. Abandonei meus projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é ...Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos.
Hoje descobri a...Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez ...isso é...Plenitude
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada,
Tudo isso é...Saber Viver!!!!
P.S. Hoje é niver da Cris! Te Amo! "Gosto mesmo quando me chamas...maninha!"